Depois de meses de debates acalorados, a Câmara Municipal reuniu vereadores, técnicos e moradores na última semana para discutir a revisão do Plano Diretor da cidade. O documento, que orienta o crescimento urbano pelos próximos dez anos, está sendo atualizado pela primeira vez desde 2014.
As audiências públicas, realizadas em diferentes bairros, revelaram tensões antigas entre o interesse do mercado imobiliário e as demandas da população por serviços e qualidade de vida. Em uma das reuniões, moradores do bairro Jardim das Acácias protestaram contra a proposta de aumentar o gabarito das construções na região.
"A gente não quer ver o bairro virar um corredor de prédios. Queremos manter as árvores, o espaço para as crianças brincarem", disse a professora Maria das Graças Oliveira, 47 anos, moradora há 20 anos da área.
Do outro lado do debate, construtoras e incorporadoras argumentam que a expansão vertical é necessária para comportar o crescimento populacional da cidade, que deve receber mais 80 mil habitantes nos próximos dez anos segundo projeções do IBGE.
O vereador Antônio Resende, relator do projeto, diz que a proposta tenta equilibrar os interesses. "Estamos prevendo zonas de adensamento controlado, onde o crescimento vertical é permitido, mas com contrapartidas para infraestrutura e áreas verdes", explicou.
Entre os pontos mais polêmicos está a proposta de criação de um corredor de desenvolvimento ao longo da Avenida Brasil, que permitiria construções de até 20 andares em troca de investimentos em calçadas, ciclovias e arborização.
A votação do novo Plano Diretor está prevista para o mês de julho. Até lá, mais três audiências públicas serão realizadas para colher sugestões da população.